quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Somos amigos


Somos amigos, nada mais do que amigos, mas eu fodia uma noite inteira contigo. Percorre-me na carne uma estranha vontade de saber como é entrar nesse teu corpo. De conhecer a tua cara de prazer e de saber se realmente és na cama como eu te imagino. E é errado. É tão errado isto. Mas que se foda o errado, porque esta vontade não me vai abandonar. Porventura até seria estranho, mas eu nunca permitiria que não fosse bom. Ia viver e aproveitar cada segundo que eu passasse encostado a ti, colado a ti, dentro de ti, e ia fazer-te aproveitar da mesma forma. Não me venhas dizer que não tens também em ti um desejo disfarçado de curiosidade. Se nos havemos de arrepender, então que seja depois. Depois de já nos termos provado. Depois de já termos trocado as palavras mais sujas e ofensivas que juráramos nunca dizer um ao outro (afinal de contas, e assim continuará a ser, somos amigos). Depois de te vires compulsivamente e encharcares a cama. E depois de eu me vir na tua barriga, ou nas tuas costas, ou na tua boca, ou mesmo dentro de ti, e me assolar aquela estranha sensação de gozo misturado com arrependimento, e pensar para mim “foda-se, somos amigos, mas foi tão bom!”.

do teu Afonso.


2 comentários: